Exportações de carne bovina recuam em setembro, e setor se prepara para novo ciclo de vendas à China
Após um ano desafiador, em que restrições europeias e chinesas frearam o ritmo de exportações, o setor de carne bovina já começa a planejar novo ciclo de embarques. Isso porque se aproxima o momento em que as cotas estipuladas pelo país asiático estarão renovadas a receber o produto brasileiro, além da abertura de outros mercados que seguem sendo prospectados em parceria pelas autoridades e entidades de representação.
Com efeito, a expectativa é que maiores volumes se reflitam em breve nos números, com frigoríficos se preparando para retomar as vendas aos chineses já entre outubro e novembro, para que a chegada aos portos locais comecem a preencher cotas de 2027. Enquanto isso, entes públicos e privados seguem dialogando com representantes da União Europeia, para tentar flexibilizar minimamente o embargo vigente desde setembro, em função das restrições que o bloco impõe ao uso de antimicrobianos no gado.
As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 229,3 mil toneladas em setembro de 2026, redução de 35,1% em relação às 353,1 mil toneladas embarcadas no mesmo mês de 2025. A receita foi de US$ 1,38 bilhão, 27,6% abaixo dos US$ 1,90 bilhão registrados há um ano. Na comparação com agosto, o volume apresentou leve recuo de 1,8%, enquanto a receita avançou 1,1%. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), com base nas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Conforme já esperado, o desempenho do mês segue refletindo principalmente a forte retração dos embarques para a China diante da salvaguarda em vigor no país. A redução encerra um trimestre de menor fluxo para o mercado chinês, depois de um primeiro semestre de embarques mais intensos. Ainda assim, a China permanece como o principal destino da carne bovina brasileira.
“Passamos por três meses muito difíceis, julho, agosto e setembro, por não termos a possibilidade de vender normalmente para a China. Reduzimos em cerca de 90% os embarques, enquanto as indústrias tiveram um grande avanço nas exportações no primeiro semestre, o que mostra a capacidade brasileira de produção e da indústria de processamento. Temos alguns alentos em outros mercados, mas eles ainda não são capazes de substituir automaticamente a demanda chinesa”, afirmou Roberto Perosa, presidente da ABIEC, em coletiva de imprensa.
Entre janeiro e setembro, o Brasil exportou 2,43 milhões de toneladas de carne bovina, praticamente em linha com as 2,44 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025, com variação de -0,5%. A receita somou US$ 14,17 bilhões, crescimento de 14,1% em relação aos US$ 12,42 bilhões dos nove primeiros meses do ano passado.
Perosa também comentou como vê o efeito das cotas chinesas para o próximo ciclo e de que forma empresas e governo tentam assimilar as limitações. “Este ano nós já sabemos das cotas e as empresas começam a se programar para vender para a China em meados de outubro e novembro, a depender dos contratos com os navios, para que o produto chegue no próximo ciclo. No começo do ano, discutimos com o governo uma forma de diluir os embarques ao longo do período. Essa conversa continua, porque, do ponto de vista de negócio, o melhor seria distribuir essas vendas ao longo do ano”, explicou ele.
Fonte: Sociedade Nacional de agricultura
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