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JBS mantém compra de gado de desmatadores da Amazônia mesmo após multa de R$ 25 milhões

JBS mantém compra de gado de desmatadores da Amazônia mesmo após multa de R$ 25 milhões


Criado: 11 Julho 2019 | Atualizado: 11 Julho 2019
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Dois anos após ser penalizada por comprar gado de áreas desmatadas ilegalmente, empresa ainda adquire animais de fornecedor que pratica o crime. A JBS afirma que ‘fatos não condizem aos padrões da empresa’

Apesar de ter sido punida em 2017 pela Operação Carne Fria por essa prática ilegal, a dona das marcas Friboi, Seara e Swift continua adquirindo bois de uma empresa que produz em áreas desmatadas ilegalmente, conforme comprovou uma investigação conjunta da Repórter Brasil, do jornal britânico The Guardian e doBureau of Investigative Journalism.

A reportagem esteve em São Félix do Xingu, no sudeste do Pará, e flagrou gado sendo criado em uma área desmatada e embargada pelo Ibama – prática considerada crime ambiental.

A área faz parte da fazenda Lagoa do Triunfo, que já foi multada por desmatamento ilegal e integra o grupo Agro SB, antes conhecido como Santa Bárbara Xinguara e, controlado pelo banqueiro Daniel Dantas. A Agro SB é uma tradicional fornecedora da JBS.

Além disso, a investigação também confirmou que, no ano passado, a fazenda Lagoa do Triunfo transferiu centenas de cabeças de gado para outra fazenda do mesmo grupo empresarial, sem problemas ambientais, de onde animais são vendidos para o abate nos frigoríficos da JBS.

Ao comprar esses animais, a JBS mostra que não avançou no monitoramento de seus fornecedores indiretos. Desde 2009 a empresa se compromete, por meio de Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com o Ministério Público, a participar do desenvolvimento de mecanismos eficientes de controle de produtores indiretos – ou seja, as fazendas desmatadoras que repassam animais para outras áreas de pastagem antes do abate. Mas a própria empresa admite não ter mecanismos adequados para esse fim.

A empresa controlada pelos irmãos Wesley e Joesley Batista também descumpre o que disse à Repórter Brasil e ao The Guardian, após a operação Carne Fria, de que havia parado de comprar gado de “todas as fazendas relacionadas” ao grupo Santa Bárbara (Agro SB).

Não é a primeira vez que a Agro SB, fornecedora da JBS, se envolve em violações ambientais ou trabalhistas. Em 2012, uma fazenda do grupo foi flagrada com trabalho análogo à escravidão. Um trabalhador já foi assassinado dentro de uma fazenda do grupo por reclamar direitos trabalhistas e o Ministério Público investiga a empresa por grilagem de terras. O histórico ambiental da Agro SB também é controverso. Somente na fazenda Lagoa do Triunfo, o grupo foi multado em R$ 69,5 milhões pelo Ibama por desmatamento ilegal entre 2010 e 2013.

Um dos trabalhadores da fazenda Lagoa do Triunfo disse à reportagem estar ciente do descumprimento das regras ambientais, já que sabia que o gado pastava em áreas embargadas. “Não podemos cortar a vegetação [das áreas embargadas]”, disse o funcionário, cujo nome é preservado para evitar retaliações. “A vegetação cresce e então trabalhamos com o gado dentro delas.”

Os embargos são impostos pelo Ibama como medida de recuperação de áreas desmatadas ilegalmente – assim, qualquer atividade econômica no território fica proibida. Os embargos servem também como punição aos fazendeiros que não cumprem a lei, já que as multas ambientais costumam não ser pagas. Realizar atividade econômica em uma área embargada prevê multa de até R$ 1 milhão, de acordo com o decreto presidencial 6.514 de 2008. O decreto também estabelece multas a quem adquire animais criados em áreas embargadas.

Fonte: O Estadão


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