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redução de tarifas por Trump não anima, mas traz importante sinalização

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Criado: 19 Novembro 2025 | Atualizado: 19 Novembro 2025
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Brasil segue com tarifa de 40% para os produtos, mas otimistas veem medida como sinal da maior urgência dos EUA e esperam a remoção total das tarifas em breve
No apagar das luzes da semana passada, o presidente dos EUA Donald Trump anunciou a retirada a tarifa básica de 10% sobre importações de produtos agropecuários como carne bovina, banana, café e tomate.
Apesar de serem produtos da pauta de exportação brasileira, o anúncio não animou muito os investidores, uma vez que a sobretaxa adicional de 40% segue vigente aos produtos brasileiros, mantendo uma urgência para acordo do Brasil com os EUA.
Os analistas do Itaú BBA ressaltam que o alívio tarifário já era amplamente esperado pela indústria da carne bovina após os desenvolvimentos recentes, mas as incertezas de curto prazo estão centradas nas tarifas remanescentes de 40% impostas sobre produtos de carne bovina brasileiros, que podem afetar o ritmo de retorno às condições normais de exportação.
Os frigoríficos brasileiros podem se beneficiar de uma maior demanda devido à dinâmica de triangulação ou até mesmo diretamente dos EUA, apesar de não atingirem todo o potencial por causa das tarifas remanescentes – o que também pode desbloquear potenciais ganhos no futuro se houver redução.
Dito isso, os otimistas veem essa medida como um sinal da maior urgência dos EUA em garantir importações de carne bovina, esperando a remoção total das tarifas em breve, enquanto os pessimistas alertam que atrasos ainda são possíveis devido à concorrência de países com condições tarifárias mais favoráveis.
A maior demanda dos EUA pode aumentar a lucratividade dos frigoríficos de regiões que recentemente ganharam participação em relação ao Brasil durante esse período — Austrália, Nova Zelândia, México, Canadá e América Latina (excluindo o Brasil). Para os EUA, espera-se que um nível maior de importação proporcione algum alívio nos preços da carne bovina. “No entanto, a persistente escassez de gado pode continuar pressionando os custos do animal, o que pode levar a uma compressão das margens na região”, avalia o BBA.
Entre as empresas de proteína da cobertura do BBA, destacam as plataformas diversificadas da JBS (BDR: JBSS32) e da MBRF (MBRF3), que ajudam a mitigar a pressão potencial no segmento de carne bovina dos EUA por meio de suas operações na Austrália e América Latina, limitando o impacto geral nos resultados consolidados.

Para a Minerva (BEEF3), embora as discussões sobre as condições de exportação brasileiras tenham melhorado marginalmente com essa notícia, suas outras divisões na América do Sul e Austrália devem se beneficiar diretamente da remoção das tarifas impostas.
Para o Morgan, uma redução total das tarifas sobre a carne bovina seria positiva para a Minerva, enquanto uma redução parcial da tarifa de 10% não tem impacto significativo para os exportadores, mas o sinal é claramente positivo.
No cenário de redução total das tarifas sobre a carne bovina, BEEF3 seria beneficiada, uma vez que as exportações de carne bovina do Brasil para os EUA representavam cerca de 5% da receita total da empresa antes da implementação da tarifa em julho de 2025.
Com a aproximação do período anual para exportações de carne bovina para os EUA (início de cada ano, quando as cotas de importação para “Outros Países” nos EUA são renovadas), uma redução total das tarifas permitiria à Minerva aproveitar plenamente essa oportunidade.
Uma redução parcial apenas da tarifa base de 10% teria impacto marginal nas exportações da Minerva (pois a tarifa total para carne bovina permaneceria em 40% dentro da cota de importação ou cerca de 65% fora dela). “Dito isso, acreditamos que o sinal é mais importante neste momento, e não nos surpreenderíamos com futuras reduções tarifárias ou negociações, dado o déficit de carne bovina e os preços elevados nos EUA”, ressalta.
Já para MBRF e JBS, a redução das tarifas teria impactos majoritariamente neutros para ambas as empresas, segundo o Morgan. “Por outro lado, esse desenvolvimento representaria um pequeno impacto negativo para os negócios de carne bovina nos EUA dessas empresas, pois reduziria o poder de negociação local sobre a carne bovina”.


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